Influenciadores digitais estimulam crianças a se alimentarem mal: o que fazer a respeito?

Não precisa voltar muito no tempo para se lembrar de como eram as propagandas na época em que só havia televisão, rádio e revista na vida das famílias. Os anos 1990 foram o ápice das propagandas apelativas, quando, finalmente, começaram a entrar em vigor as regras do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR).

Antes de o CONAR começar a proibir as propagandas de cunho apelativo, era bem comum ver comerciais que induziam as crianças ao erro ou que instigavam-nas a ficarem pedindo produtos aos pais de forma insistente até que ganhassem.

Hoje em dia as coisas mudaram bastante com a presença massiva da internet na rotina, mas o mundo enfrenta uma polêmica bem semelhante: a publicidade feita pelos influenciadores digitais. Esse ainda é um universo pouco organizado quanto às regras e limites, fazendo muitos pais modernos sofrerem o mesmo que seus pais sofriam há algumas décadas.

A influência dos Youtubers e Bloggers na alimentação das crianças

Uma das maiores preocupações dos pais está relacionada com a capacidade real de influência dos Youtubers e Bloggers favoritos das crinaças em incentivá-las quanto ao que desejam ou não comer.

O fator alimentação pesa mais do que outros tipos de publicidade sobre brinquedos, por exemplo, porque hoje em dia os pais têm muito mais esclarecimento sobre a importância de manter uma nutrição de alta qualidade para seus filhos.

Para comprovar a capacidade de persuasão dos influenciadores digitais sobre as crianças, a Universidade de Liberpool, no Reino Unido, realizou um estudo envolvendo 176 crianças com idade entre 9 e 11 anos. O estudo, publicado na revista Pediatrics, consistiu em dividir as crianças em 3 grupos.

O grupo 1 foi exposto à imagens de seus influenciadores preferidos consumindo lanches saudáveis. O grupo 2 foi exposto à imagens dos influenciadores com lanches não saudáveis. O grupo 3 viu imagens dos mesmos influenciadores, mas dessa vez, com outros tipos de produtos que não eram alimentares.

Após essa etapa, todas as crianças tiveram alguns minutos para escolher entre lanches saudáveis e guloseimas não saudáveis dispostas sobre uma mesa. O resultado foi claro: as crianças de todos os grupos tiveram preferência pelas guloseimas, embora o consumo mais elevado de calorias se deu no grupo exposto às imagens de lanches não saudáveis.

Ou seja, ainda não se pode afirmar, somente com base nesse estudo, que existe uma influência preocupante dos Youtubers e Bloggers sobre os hábitos alimentares das crianças. Mas é fato que ela acontece e que é necessário começar a pensar no gerenciamento do marketing digital para crianças na internet, a fim de colaborar com a educação dada pelos pais

O que fazer para evitar a má influência da internet nos filhos?

Os pais necessitam de soluções imediatas para manterem seus filhos protegidos dos males que a internet oferece, mas sem precisar chegar ao ponto de proibir o acesso. Até porque, em um mundo tomado pelas novas tecnologias, torna-se uma necessidade permitir que as crianças interajam com a internet para se desenvolverem sem ficarem para trás.

No momento, o melhor que os pais podem fazer é dar uma boa analisada, periodicamente, nos canais e páginas que consideram adequados para seus pequenos. É preciso ir um pouco além dos aplicativos que detectam conteúdo impróprio para menores, pois eles não detectam conteúdo relacionado à publicidade apelativa para crianças.

A dica é que os pais separem algumas horas do fim de semana para acessar o conteúdo dos filhos e se certificarem de que não há esse tipo de apelação induzindo a uma alimentação não saudável.

Crie atividades que se equilibrem à presença dos influenciadores digitais

Além da análise periódica ao conteúdo das crianças, há outras atitudes para tomar. Naturalmente, os pais não vão conseguir bloquear todos os influenciadores preferidos dos filhos, então, é necessário manter o diálogo e a negociação com os pequenos, explicando que existem regras em casa e devem ser respeitadas.

Outra boa ideia é mostrar aos filhos que existem opções para tudo. Por exemplo, que é muito mais divertido eles irem para a cozinha com os pais fazerem bolachas saudáveis juntos do que comprar guloseimas prontas.

Criar um ambiente estimulante envolvendo hábitos saudáveis e estreitando os laços entre pais e filhos é essencial para conseguir lidar com o impacto da publicidade apelativa sem criar conflitos.

Luana Araujo Silva

Resindência em Enfermagem Neonatal pela Universidade Estadual de Londrina/PR com amplo campo de atuação: Maternidade de Baixo Risco, Maternidade de Alto Risco, Unidade de Cuidados Intermediários e Intensivos Neonatal, Recepção do Recém nascido termo e pré termo na sala de parto. Segmento ambulatorial do recém nascido pré termo Habilitada para inserção e manutenção de Cateter Central de Inserção Periférica (CCIP/PICC), com auxilio de ultrassom e Inserção de Cateter Umbilical Arterial e Venoso. Também possui ampla bagagem na áreade aleitamento materno em recém-nascidos a termo e pré-termo.