Colesterol alto em crianças: saiba por que acontece e como melhorá-lo

Se ter colesterol alto é motivo grande preocupação para adultos, imagine quando acontece nas crianças. De fato, colesterol alto em crianças é um problema que necessita de atenção médica imediata, já que pode colocar a saúde delas em risco não só na infância, mas durante toda a vida adulta.

Um dos principais fatores de risco para que o desenvolvimento do colesterol alto em crianças é a obesidade infantil.

De acordo com pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde, 12,9% das crianças brasileiras com idade de 5 a 9 anos são obesas, o que é um número preocupante, considerando que não é complicado tomar os devidos cuidados para evitar a doença, mas para isso, é preciso educar os pais em primeiro lugar.

O que é o colesterol alto em crianças?

O colesterol alto é caracterizado pela desproporção nos níveis de colesterol no organismo. A verdade é que o colesterol em si não é um vilão. Ele é uma gordura necessária para diversas funções vitais. O problema está quando os níveis do chamado colesterol ruim (LDL) estão mais altos do que os níveis do colesterol bom (LDL).

Quando ocorre essa disparidade de níveis e o colesterol ruim fica mais alto, ele vai se acumulando na parte interna das paredes das artérias. Quanto pior for a alimentação da criança, mais colesterol ruim ela irá acumular.

Então, vai chegar em um ponto que o excesso de gordura acumulada nas artérias causará uma ruptura, formando um coágulo que impedirá a passagem do sangue e do oxigênio para outras partes do corpo, podendo resultar em efeitos colaterais graves, como infarto, derrame e fígado gordo.

Antes de chegar nesse ponto crítico fica difícil detectar o problema, a menos que seja por exames de sangue, pois ele não se manifesta por meio de sintomas, exceto a obesidade.

Quais são os níveis saudáveis de colesterol infantil?

Os pais sempre serão orientados pelo pediatra quanto aos níveis de todos os nutrientes no sangue dos filhos ao fazerem uma consulta de rotina. Essas taxas são mostradas por meio de exame de sangue e é bem importante tê-las em mente na hora de pensar no cardápio da criança.

De acordo com o Jornal da Pediatria, o ideal é que as taxas de colesterol total das crianças e adolescentes de 2 a 18 anos esteja abaixo de 150 mg/dl. O máximo que se pode chegar sem ser considerado um problema é 170. Se ultrapassar essa marca, medidas de redução devem ser tomadas, pois a criança já será considerada com colesterol alto infantil.

Falando especificamente das taxas de LDL, que é o colesterol ruim, o desejável que se mantenham abaixo de 110 mg/dl. Para estar em equilíbrio, o colesterol bom, chamado de HDL, deve estar superior a 45 mg/dl.

Causas do colesterol alto em crianças

Nos adultos, as causas do colesterol alto são mais variadas devido aos maus hábitos aderidos ao longo dos anos de vida. Mas nas crianças, que ainda viveram pouco e não possuem vícios (ou não deveriam possuir), as causas são mais restritas, veja só:

Obesidade infantil

A obesidade é uma doença e deve ser vista como tal pelos pais. Esse acúmulo excessivo de gordura no corpo significa que as taxas de colesterol da criança já estão em desequilíbrio, então uma doença está intimamente ligada a outra.

Diabetes e hipotireoidismo

Outras doenças que são consideradas fatores de risco para o colesterol alto em crianças são o diabetes e o hipotireoidismo. Essas doenças afetam o bom funcionamento do organismo e estimulam o desequilíbrio das taxas de colesterol, e podem surgir logo na infância quando há outros fatores envolvidos.

Por exemplo, algumas crianças já nascem com diabetes porque herdaram da mãe na gestação.

Fator genético

Pais que já têm problemas de colesterol e outras doenças relacionadas, como diabetes, pressão alta e problemas na glândula tireoide, podem facilitar o desenvolvimento dessas doenças nos filhos.

Não quer dizer que vá acontecer, mas existem uma predisposição maior de que ocorra.

Obesidade da mãe

Por fim, há alguns (poucos) casos em que a mãe gestante já era obesa antes de engravidar e não melhorou sua alimentação durante a gestação, ingerindo uma quantidade perigosa de gorduras não saudáveis e alimentos industrializados.

Nesses casos, como tudo o que ela come acaba interferindo no desenvolvimento do seu bebê, as chances de que ele nasça com colesterol alto ou desenvolva ainda na infância, são consideráveis.

Prevenção e tratamento do colesterol alto em crianças

Como você viu nas causas e fatores de risco mencionados acima, nem sempre é possível prevenir o colesterol alto na criança somente cuidando da alimentação, pois, ela já nasceu predisposta a desenvolver esse problema.

Mas mesmo assim é essencial que os pais tenham consciência sobre a importância de uma alimentação adequada.

O fato é que, mesmo sendo predisposta, a criança poderá nunca desenvolver a doença se os pais forem cuidadosos com o cardápio dela e com uma rotina que inclua a prática de atividades físicas.

Esses são os dois pontos essenciais, tanto para prevenir quanto para tratar o colesterol alto infantil.

Outro ponto importante é se lembrar que o leite materno é o principal alimento para todos os bebês pelo máximo de tempo que for possível. Esse alimento possui todos os nutrientes necessários que a criança precisa para se manter saudável e, assim, evita-se o consumo de alimentos menos saudáveis que possam contribuir com o aumento do colesterol ruim.

Luana Araujo Silva

Resindência em Enfermagem Neonatal pela Universidade Estadual de Londrina/PR com amplo campo de atuação: Maternidade de Baixo Risco, Maternidade de Alto Risco, Unidade de Cuidados Intermediários e Intensivos Neonatal, Recepção do Recém nascido termo e pré termo na sala de parto. Segmento ambulatorial do recém nascido pré termo Habilitada para inserção e manutenção de Cateter Central de Inserção Periférica (CCIP/PICC), com auxilio de ultrassom e Inserção de Cateter Umbilical Arterial e Venoso. Também possui ampla bagagem na áreade aleitamento materno em recém-nascidos a termo e pré-termo.