Amamentação prolongada reduz o risco de obesidade infantil, mostra estudo

Mesmo antes de o bebê nascer, os pais já são orientados pelo obstetra sobre a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida da criança.

Mas, se for possível, a amamentação prolongada deve ser aplicada de forma conjunta com a introdução dos alimentos sólidos.

O motivo é simples: de acordo com levantamentos da Organização Mundial de Saúde (OMS), as crianças que recebem amamentação exclusiva até os seis meses possuem menos risco de desenvolver obesidade infantil.

Estudo revela importância da amamentação prolongada contra obesidade

O estudo que apontou resultados positivos sobre a amamentação prolongada e o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida foi realizado pela OMS para países da Europa em parceria com o Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, de Portugal.

Os resultados apontaram que as crianças que nunca foram amamentadas ou que foram amamentadas por um período inferior aos seis meses de vida têm, respectivamente, 22% e 12% mais probabilidades de serem obesas ainda na infância.

O efeito benéfico da amamentação prolongada no organismo da criança

Os motivos que fazem o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, ou também o prolongado, serem tão benéficos à saúde das crianças são claros. O leite materno possui todos os nutrientes que o bebê necessita para se desenvolver de forma saudável.

Claro, se a mãe tiver o cuidado de manter uma alimentação saudável e equilibrada para fornecer os melhores nutrientes ao seu bebê por meio do leite que produz.

Mesmo depois dos seis meses, quando os pais já podem começar a oferecer papinhas saudáveis e outros sólidos, a amamentação prolongada é bem-vinda, seja em um ou dois momentos do dia, dividindo espaço com os demais alimentos inseridos na rotina alimentar do bebê.

O ideal é que o pediatra faça a recomendação sobre como deve ser essa alimentação alternada, de acordo com as necessidades de cada criança.

Além do mais, o aleitamento exclusivo até os seis meses atrasa a inserção de alimentos sólidos, o que acaba protegendo muitos bebês de receberem alimentos não saudáveis, como as comidas industrializadas que muitos pais não resistem a oferecer.

Mesmo os pais que tomam cuidado em oferecer boas escolhas alimentares ao bebê, precisam estar atentos. As fórmulas lácteas que são usadas em substituição ao leite quando a mãe não pode amamentar também facilitam o caminho para a obesidade por causa da sua composição que não é natural.

Como se não bastasse, ainda tem outro benefício que muitos pais desconhecem.

O sabor do leite materno varia a cada mamada, de acordo com a qualidade e variedade da alimentação da mãe. Se for uma boa alimentação, o bebê terá maior facilidade para gostar de alimentos saudáveis, como frutas e legumes, o que também irá reduzir o risco da obesidade infantil e todas as doenças que dela provém.

Aleitamento exclusivo impacta na vida adulta

Os benefícios da amamentação prolongada e do aleitamento exclusivo até os seis meses de vida ultrapassam a infância.

Um estudo, comandado pelo professor epidemiologista Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas/RS, apontou que o aleitamento materno está associado à redução da camada de gordura visceral, considerada a mais perigosa à saúde, e ao aumento da massa magra mesmo aos 30 anos de idade.

Esse resultado é apenas uma pequena parte de um estudo complexo e prolongado que ultrapassou as fronteiras do Brasil, premiando o professor Cesar Victora internacionalmente por sua importante contribuição nos avanços científicos sobre a importância do aleitamento materno.

Sharon Spink: a mamãe que amamentou a sua filha até os 9 anos

A norte-americana Sharon (50 anos) é uma mamãe que rebateu toda e qualquer crítica sobre a amamentação prolongada da sua filha, que terminou aos 9 anos e 9 meses.

De acordo com ela, foi um processo gradual e sua filha pedia para amamentar uma vez no mês ou quando não se sentia muito bem.

Ela contou ainda que tentou fazer o mesmo pelos seus outros filhos, Kim (30), Sarah (28) e Isabel (12), mas que não funcionou, como no caso da Charlotte!

“Amamentei meus dois primeiros filhos por algumas semanas e a Isabel por cerca de seis meses, mas tive problemas e senti falta de apoio. Quando Isabel tinha quatro meses, ela emagreceu e eu tive que suplementar com fórmula. Por isso, eu estava determinada a amamentar Charlotte até quando ela quisesse”, contou em entrevista ao The Sun e que também foi pauta de um artigo na revista Crescer.

E a mamãe não parou por aí e deixou um recado para todas que desejam realizar a amamentação prolongada:

“Eu tenho certeza que a amamentação prolongada é mais comum do que as pessoas pensam, mas as mães têm muito medo de falar sobre isso e têm medo da reação de pessoas que não entendem que é normal. Só quero dizer para as mães que estão se perguntando ‘devo ou não devo?’ que isso é normal e faz bem para as crianças.Sinto que meu corpo fez o que deveria ser feito. Temos de apoiar as mães em suas escolhas”, reforçou.

Luana Araujo Silva

Resindência em Enfermagem Neonatal pela Universidade Estadual de Londrina/PR com amplo campo de atuação: Maternidade de Baixo Risco, Maternidade de Alto Risco, Unidade de Cuidados Intermediários e Intensivos Neonatal, Recepção do Recém nascido termo e pré termo na sala de parto. Segmento ambulatorial do recém nascido pré termo Habilitada para inserção e manutenção de Cateter Central de Inserção Periférica (CCIP/PICC), com auxilio de ultrassom e Inserção de Cateter Umbilical Arterial e Venoso. Também possui ampla bagagem na áreade aleitamento materno em recém-nascidos a termo e pré-termo.