Obesidade infantil: conheça os fatores de risco, como prevenir e tratar

A obesidade infantil vem sendo cada vez mais discutida porque têm aumentando consideravelmente no Brasil. De acordo com o jornal online da Universidade de São Paulo (USP), enquanto a desnutrição afeta cerca de 7% das crianças brasileiras com até 10 anos de idade, a obesidade chega a atingir 20% dessa faixa etária.

Os fatores de risco para o desenvolvimento da obesidade nas crianças são muitos, porém, a alimentação deficiente está no topo da lista.

A boa notícia é que, com base no que pode causar a obesidade infantil, é possível compreender como prevenir que ela aconteça.

Fatores de risco para a obesidade infantil

A preocupação que a obesidade infantil causa tem a ver não apenas com a qualidade de vida na infância, mas também na fase adulta. É um equívoco pensar que a criança vai voltar ao peso considerado normal para sua idade quando entrar na puberdade e der aquela “esticada” no corpo.

Da mesma forma é errado pensar que durante a infância a criança não vai ter complicações de saúde por causa do excesso de peso. Os pequenos podem sim desenvolver doenças como o colesterol alto, o diabetes, a hipertensão e suas consequências, mesmo com tão pouca idade.

Veja quais são os fatores de risco para a obesidade nas crianças e compreenda por que os pais devem estar atentos:

Não cumprimento da amamentação exclusiva até o sexto mês

Todos os pediatras alertam aos pais que é necessário oferecer aleitamento exclusivo ao bebê até os seis meses de vida. A partir dessa idade, o leite da mãe pode e deve continuar sendo oferecido, pelo menos até os 2 anos, junto com a inserção de alimentos sólidos e saudáveis.

Embora nem sempre a mãe consiga amamentar o bebê apenas com o seu leite, é fato que as fórmulas industrializadas desequilibram a produção de insulina no organismo do bebê, facilitando o aumento excessivo de peso ao longo da infância.

Excesso de refrigerantes e falta de atividade física na idade escolar

De acordo com um estudo publicado na Revista Brasileira de Enfermagem, realizado com 162 crianças, com idades de 6 a 12 anos, em uma escola pública da cidade de São Paulo, os fatores de risco mais relevantes associados à obesidade infantil são o consumo de refrigerantes e falta da prática de atividade física.

Esses fatores atuam em conjunto, pois um estimula o outro a prejudicar cada vez mais o organismo dos pequenos que ainda está em formação, causando um grande desequilíbrio no acúmulo de gordura corporal.

Alimentação desequilibrada em casa

Mesmo antes de a criança entrar na fase escolar, os maus hábitos alimentares já podem existir e, nesses casos, são de responsabilidade da família. A partir do sétimo mês de vida é necessário que os pais e responsáveis se conscientizem que a criança precisa de uma alimentação saudável e equilibrada para evitar a obesidade.

Mas também é importante ressaltar o outro lado da moeda. Muitos pais com boas intenções restringem a alimentação de seus filhos como se já fossem adultos, proibindo o consumo de todos os tipos de guloseimas, glúten e lactose, mesmo sem a criança ter problemas com esses componentes alimentares.

Essa prática é igualmente prejudicial porque impede que o organismo da criança conheça todos os tipos de alimentos, além de privar a criança do desejo por certos alimentos, incentivando a problemas futuros, como a compulsão alimentar.

Predisposição genética

Por outro lado, nem sempre é possível lidar de forma simples com o controle de peso da criança porque existe o fator da predisposição genética.

Quando os pais são obesos, a criança tem 50% mais chances de também ser obesa, não apenas por causa dos maus hábitos alimentares, mas porque a obesidade já está em seus genes, fazendo com que seja necessário um cuidado redobrado na alimentação a fim de evitar o acúmulo rápido de gordura.

Sono irregular

Não é apenas a má alimentação e a falta de atividades físicas que estão envolvidas com a obesidade infantil. O momento de descanso também é levado em consideração, pois é sagrado para que o organismo da criança seja reparado de todas as atividades feitas durante o dia.

Descansar o corpo e a mente pelo tempo necessário e com qualidade é essencial para manter o equilíbrio hormonal que é uma das chaves para manter o peso adequado.

Como prevenir e tratar a obesidade infantil?

obesidade infantil

Mesmo as crianças que têm predisposição genética à obesidade, podem nunca desenvolver esse problema de saúde se tiverem o apoio e cuidado da família desde sempre.

Alimentação da gestante

Para que ainda está na espera do bebê nascer, já percebeu que os cuidados para evitar a obesidade infantil começam mesmo antes do nascimento. As mães devem fazer questão de manter uma alimentação equilibrada, pois tudo o que elas comem é enviado para o feto.

Aleitamento exclusivo

Depois do nascimento, deve-se fazer o máximo de esforço para que a criança seja alimentada somente com o leite da mãe até o sexto mês de vida e, se possível, que continue mamando o leite materno até quando a mãe produzir, de forma alternada com a alimentação sólida de qualidade.

Acompanhamento pediátrico

O acompanhamento mensal com o pediatra também é essencial para conhecer todas as particularidades do organismo da criança e saber detetar quando há algum problema a ser tratado. O médico irá acompanhar o crescimento e o peso, tornando mais fácil e eficaz o tratamento caso haja predisposição genética para a obesidade infantil.

Acompanhamento nutricional

Se os pais tiverem dificuldade em manter uma alimentação saudável e equilibrada para toda a família, a melhor recomendação é que iniciem um processo de reeducação alimentar com acompanhamento de um nutricionista.

 

Não basta proibir a criança de comer guloseimas se ela não tem o exemplo dos adultos em casa. Ao privar a criança sem dar a ela outras opções de uma alimentação saudável e prazerosa em família, não é apenas sua saúde física que está sendo prejudicada, mas também sua saúde emocional no presente e no futuro.

 

Estilo de vida saudável

 

Como visto nos fatores de risco para a obesidade na infância, os cuidados para evitar ou para tratar a doença vão além da comida. É necessário criar uma rotina para a criança ter horários para comer, dormir, estudar, brincar e fazer atividades extracurriculares. Essa rotina é muito importante para que se mantenha o equilíbrio da saúde física e emocional, ajudando a evitar distúrbios alimentares ao longo da vida.