Ter muitos brinquedos piora a qualidade da brincadeira, diz estudo

Você sabia que se a criança tem muitos brinquedos, há mais chances da qualidade da brincadeira ser pior?

O quarto do seu filho ou a sua casa está repleta de brinquedos, como blocos, bonecos, carrinhos e tudo mais? Está parecendo mais uma brinquedoteca do que uma casa? Isso é muito comum em famílias que têm filhos pequenos, tanto pelos presentes que os pais dão, quanto aqueles que ganham de amigos e parentes.

Porém, a quantidade de brinquedos não está relacionada com a qualidade da brincadeira! Uma boa notícia para os pais que não gostam daquela bagunça pela casa, não é verdade? Entenda como foi realizada a pesquisa e quais foram as conclusões tiradas pelos especialistas em desenvolvimento e comportamento infantil.

Qual a relação da qualidade da brincadeira com a quantidade de brinquedos

Cientistas da Universidade de Toledo, em Ohio, nos Estados Unidos, fizeram um experimento com 36 crianças de 1 ano e meio até 2 anos e meio. De acordo com a publicação realizada pela Infant Behaviour and Development, os pequenos foram distribuídos em dois grupos, sendo que o primeiro recebeu 16 brinquedos e o segundo, quatro.

O resultado revelou que as crianças com menos brinquedos ficaram mais focadas, entretidas por muito mais tempo, além de apresentarem comportamento mais criativo. Em média, elas usaram três dos quatro brinquedos. Já no primeiro grupo, os pequenos tiveram um comportamento mais disperso e eles chegaram a utilizar oito dos 16 brinquedos que estavam disponíveis.

Por isso a afirmação de que a quantidade de brinquedos não garante a qualidade da brincadeira. Também foi possível notar que houve menos incidentes durante as brincadeiras e as crianças se divertiram de uma maneira mais variada, com aquilo que escolheram. O que serve de recomendação para auxiliar na promoção de uma infância saudável e no desenvolvimento infantil.

Mas tenção! Isso não quer dizer que você precise se livrar dos brinquedos do seu filho. Quando a quantidade é grande, os especialistas indicam que seja feito um rodízio. Escolha alguns brinquedos para ficarem à vista e guarde o resto.

Dessa forma irá estimular o desenvolvimento do pequeno, potencializar a qualidade da brincadeira e promover o sentimento de doação, quando aquele brinquedo se tornar desinteressante.

Como lidar com o desejo de ter mais brinquedos das crianças?

É comum que as crianças tenham o desejo por mais brinquedos. Afinal de contas, elas estão o tempo todo em contato com propagandas online, nas lojas, televisão e em outros diversos meios, despertando a vontade de querer o último lançamento. Além é claro do contato com outras crianças, que acabam por influenciar.

Aparelhos tecnológicos como tablets e celulares também possuem um papel importante como influenciadores infantis, e os resultados podem causar alterações desde a alimentação, até mesmo ao comportamento psicológico.

Tudo isso acaba por gerar a ansiedade infantil e os pais precisam estar atentos ao desenvolvimento desse estado emocional em seus filhos.

O que fazer?

Ensine aos seus filhos que eles já possuem brinquedos suficientes para se divertirem! Ensine e proponha alternativas interessantes de interação com aquilo que eles já possuem e faça um rodízio dos brinquedos, se este for o caso, como foi sugerido pelos especialistas. Desta forma ele não ficará enjoado e a qualidade da brincadeira será potencializada.

As barreiras e limites de consumo também podem ser estabelecidas desde criança. Sempre de acordo com a idade e desenvolvimento pessoal de cada um. Trabalhar a questão dos valores e do dinheiro, quando é possível comprar ou não, quais são as condições e o que é preciso fazer para tê-los ajuda a criar senso de responsabilidade, inclusive.

A história da família Dannemiller

Pensando na educação das crianças, o casal Scott e Gabby Dannemiller (foto), do Tenessee nos Estados Unidos, decidiram que pelo tempo de um ano não comprariam roupas, brinquedos e eletrônicos para eles e seus filhos. A decisão foi tomada diante do sentimento de que, com o consumismo exagerado, eles e os filhos estavam perdendo o que realmente era importante na vida.

O interessante é que o casal conseguiu manter esse objetivo em segredo dos seus filhos, Audrey de 5 anos e Jake, de 7 anos (Jake). Mesmo em uma idade em que as crianças costumam pedir muitas coisas aos pais, nenhuma das crianças percebeu a mudança! O que eles não abriram mão de mostrar é que teriam mais tempo com os filhos e esse tempo juntos seria de muita qualidade.

A partir dessa reflexão, começaram a comprar somente as coisas essenciais como comida, combustível e necessidades básicas do do dia a dia. Brinquedos e roupas não estavam na lista e, quando algo quebrava na casa, eles mandavam consertar.

Junto com essa decisão, também veio a de fazer um trabalho voluntário, para que toda família pudesse aprender a dar mais valor ao que tinham, além de ajudar ao próximo.

Qualidade da brincadeira e de vida

Antes de comprar novos brinquedos e eletrônicos para as crianças, que tal refletir como essa família e investir na qualidade da brincadeira e de vida? Essa pequena mudança pode representar mais tempo com a família, desenvolvimento da capacidade criativa, emotiva e também a de responsabilidade.

O que é muito melhor do que qualquer outro brinquedo.

Em épocas festivas como o aniversário das crianças ou Natal, por exemplo, converse com as crianças e os familiares para que, juntos, possam pensar e decidir sobre aquilo que realmente precisam e desejam receber.

Crianças que convivem bem perto dos pais e entendem melhor os valores da vida, costumam ser crianças mais felizes e com uma ótima autoestima.

Portanto, deixe a ideia de lado em que seu filho só será feliz com muitos brinquedos e invista o seu tempo (e dinheiro) em qualidade da brincadeira e de vida para toda a família!

Luana Araujo Silva

Resindência em Enfermagem Neonatal pela Universidade Estadual de Londrina/PR com amplo campo de atuação: Maternidade de Baixo Risco, Maternidade de Alto Risco, Unidade de Cuidados Intermediários e Intensivos Neonatal, Recepção do Recém nascido termo e pré termo na sala de parto. Segmento ambulatorial do recém nascido pré termo Habilitada para inserção e manutenção de Cateter Central de Inserção Periférica (CCIP/PICC), com auxilio de ultrassom e Inserção de Cateter Umbilical Arterial e Venoso. Também possui ampla bagagem na áreade aleitamento materno em recém-nascidos a termo e pré-termo.